Molas a gás
de azoto

Cilindros selados carregados com azoto a alta pressão que exercem força através de uma haste-êmbolo. Não armazenam energia por deformação elástica: a força nasce da pressão do gásF = P × A.

FIG · mola a gás
Mola a gás de azoto tipo cilindro com haste-êmbolo cromada e porta de carga lateral, vista em perspetiva sobre fundo neutro
Princípio
F = P × A
Pressão
≈ 150 bar
Norma
ISO · intercambiável
01

O que é uma mola a gás e como funciona

As molas a gás de azoto —conhecidas internacionalmente como nitrogen gas springs, gas cylinders ou die springs— são uma alternativa robusta às molas mecânicas. Consistem num cilindro selado carregado com azoto a alta pressão e numa haste-êmbolo.

Ao contrário de uma mola helicoidal, não funcionam por deformação elástica do material, mas sim pela pressão de um gás confinado. São uma unidade autónoma: uma vez carregada com azoto (inerte) na montagem, não necessita de qualquer reposição adicional. Ao empurrar a haste para o interior, comprime-se o gás, que reage exercendo uma força de oposição.

A força é dada pela relação F = P × A, em que P é a pressão interna do azoto (tipicamente da ordem dos 150 bar / ~2.000–3.000 psi) e A a secção da haste. Utilizam-se como elementos de mola normalizados quando se requerem grandes forças em espaços reduzidos.

FIG · princípio F = P × A
Princípio de funcionamento da mola a gás: F = P × ACorte esquemático de uma mola a gás de azoto: a haste-êmbolo entra no cilindro e comprime o azoto sob pressão (da ordem dos 150 bar); a força F resulta de multiplicar a pressão P pela secção A da haste.FAP≈150 barN₂F = P × A

Corte esquemático: a haste-êmbolo comprime o azoto; a força é o produto da pressão pela secção da haste (F = P × A).

— Dois traços-chave
  1. 01
    Força imediata desde o contactoUma mola mecânica necessita de curso para gerar carga; a mola a gás já exerce a sua força desde o primeiro instante.
  2. 02
    Curva de força muito planaA força quase não aumenta ao longo do curso: a secção da haste é pequena face ao volume de gás e a pressão mantém-se quase uniforme.
  3. 03
    Força ajustávelAumentando ou reduzindo a carga de azoto, ajusta-se a força do elemento — algo impossível numa mola mecânica.
— Especificações gerais
Tipo
Cilindro selado carregado com azoto a alta pressão.
Princípio
F = P × A (não por deformação elástica).
Pressão interna
Da ordem dos 150 bar (~2.000–3.000 psi).
Força ao contacto
Imediata desde o primeiro instante do curso.
Curva de força
Muito plana ao longo do curso (incremento baixo).
Ajuste
Ajustável variando a carga de azoto.
Normalização
Normas ISO · montagem intercambiável.
Vedação
Rod-sealed (haste) · bore-sealed (cilindro).
02

Vantagens face à mola mecânica

A grande vantagem é a densidade de força: uma mola a gás entrega uma tonelagem muito superior à de uma mola mecânica do mesmo tamanho. Por isso é o padrão em componentes de matrizes de estampagem, onde o espaço na matriz é escasso e as forças, enormes.

Comparação entre a mola a gás de azoto e a mola mecânica (helicoidal) em força por unidade de volume, força no início do curso, curva de força, ajuste de força, espaço de instalação e sincronização de vários elementos.
Característica Mola a gás Mecânica
Força por unidade de volume Muito alta Limitada
Força no início do curso Imediata, alta Cresce desde zero
Curva de força Muito plana Linear crescente
Ajuste de força Sim — carga de gás Não
Espaço de instalação Reduzido Maior
Sincronização de vários elementos Sim — sistemas interligados Não

Deslize para ver mais →

  • Densidade de força Muito mais tonelagem no mesmo tamanho.
  • Força imediata Disponível desde o primeiro contacto.
  • Curva plana Quase não cresce ao longo do curso.
  • Ajustável Regula-se com a carga de azoto.
FIG · força vs. curso
Força face ao curso: mola a gás vs. mola mecânicaGráfico força-curso: a mola a gás arranca numa força alta imediata e mantém-se quase plana ao longo do curso, enquanto a mola mecânica parte de zero e cresce de forma linear com o curso.F · fuerzas · carrera0fuerza inmediatamuelle de gas · planamuelle mecánico · lineal

A mola a gás parte de uma força alta imediata e mantém-se quase plana; a mecânica arranca em zero e cresce de forma linear com o curso.

03

Construção e componentes

A mola a gás é uma unidade autónoma simples mas de fabrico exigente: a qualidade da vedação determina a vida útil, sobretudo em ambientes de matrizes contaminados com óleo e pó de retificação.

FIG · corte · mola a gás
Corte longitudinal de uma mola a gás de azotoVista explodida em corte: cilindro de aço que contém o azoto sob pressão, haste-êmbolo que transmite a força, vedantes e raspador de elastómero, porta de carga G 1/8 e placa de montagem ISO; indicam-se a força F, o curso s e a altura total H.— Surisa · Corte · muelle de gasEscala 1 : 1Fcarrera sVástago-pistóntransmite la fuerzaSellos · rascadorelastómero · estancoCilindro · acerocontiene el N₂Puerto G 1/8carga · ajuste · enlaceNitrógeno a presión≈ 150 bar · gas inertePlaca ISOmontaje normalizadoaltura total H

Corte longitudinal: cilindro de aço, azoto sob pressão (≈ 150 bar), haste-êmbolo, vedantes de elastómero e porta de carga G 1/8 sobre placa de montagem ISO.

  • 01 Cilindrocylinder bodyCorpo de aço que contém o azoto pressurizado.
  • 02 Haste-êmbolopiston rodTransmite a força; a sua secção determina a força em conjunto com a pressão.
  • 03 Vedantes e raspadoresseals & scraperBorracha ou elastómeros avançados; resistem ao ciclo de pressão e evitam fugas e a entrada de contaminantes (óleo, pó).
  • 04 Porta de carga (G 1/8)charge portPermite carregar, ajustar a pressão ou ligar o elemento a um sistema interligado.
  • Rod-sealed · vedação na haste

    Construção padrão; a vedação atua sobre a haste. Bom equilíbrio entre força, curso e vida útil para a maioria das aplicações.

  • Bore-sealed · vedação no cilindro

    A vedação atua sobre o diâmetro interior do cilindro, o que permite a máxima força por diâmetro no mesmo alojamento.

04

Normalização e formatos

As molas a gás fabricam-se segundo normas ISO e padrões de montagem normalizados, o que as torna intercambiáveis entre fabricantes. A gama de forças e cursos é muito ampla, desde elementos de poucos newtons (pinos ejetores) até cilindros de várias dezenas de toneladas para prensas de estampagem.

  • Altura completafull-height · base ISOMaior variedade de cursos; a família base normalizada.
  • Altura compactacompact-heightPoupa altura de instalação (tipicamente 25–50 mm).
  • Super compactossuper-compactMáxima força por diâmetro em cursos curtos.
— Sistemas interligados · linked / hosed

Vários cilindros ligam-se por mangueira a uma única carga de gás, de modo que atuam de forma sincronizada e partilham a mesma pressão. É a solução para repartir uma força uniforme entre vários pontos de uma matriz grande.

  • Uma única carga e um único ponto de ajuste de pressão
  • Força repartida e sincronizada entre todos os cilindros
  • Ideal para matrizes grandes e cerra-chapas extensos
FIG · sistema interligado
Sistema interligado de molas a gásTrês cilindros de gás ligados por mangueira a uma única carga de azoto, de modo que atuam sincronizados partilhando a mesma pressão.una sola carga de N₂cilindros sincronizados por manguera

Vamos falar do seu projeto?

Indique-nos a força necessária, o curso, o espaço disponível e o formato — a nossa equipa de engenheiros aconselha-o a escolher a mola a gás ótima e, se necessário, o sistema interligado adequado. Fabricante especializado desde 1974.

05

Aplicações industriais

As molas a gás são o padrão onde é necessária grande força em pouco espaço com força imediata. O seu terreno natural são os componentes de matrizes e a estampagem, mas surgem em qualquer ferramenta de grande tonelagem.

01

Matrizes e estampagem

Prensagem · embutidura · expulsão

Prensagem, embutidura, pisagem de chapa e expulsão em matrizes e moldes — grandes forças no escasso espaço da matriz. É o padrão do setor.

02

Pisadores e cerra-chapas

Fixação durante a conformação

Mantêm a chapa firmemente fixa durante a conformação, garantindo uma pisagem uniforme com força disponível desde o primeiro contacto.

03

Ejeção e elevação de painéis

Pinos ejetores ajustáveis

Expulsão e elevação de peças e painéis através de pinos ejetores cuja força pode ser ajustada com a carga de gás.

04

Moldes de injeção

Versões de alta T° (~120 °C)

Versões para temperatura elevada que mantêm a força dentro do molde ao longo de ciclos prolongados.

05

Ferramentas e automação

Força alta, compacta, regulável

Qualquer conjunto de ferramenta ou automação que requeira uma força alta, compacta e regulável num espaço mínimo.

06

Outra aplicação?

À medida · engenharia

Selecionamos modelo, força, curso e sistema de montagem ou de interligação para a sua ferramenta. A equipa técnica da Surisa, especializada desde 1974, oferece apoio de engenharia sem custo.

06

Preguntas frecuentes

01 O que é uma mola a gás de azoto e como funciona?

É um cilindro selado carregado com azoto a alta pressão que exerce força através de uma haste-êmbolo. Ao introduzir a haste, comprime o gás, que reage opondo uma força dada por F = P × A (pressão pela secção da haste). Ao contrário de uma mola helicoidal, não funciona por deformação elástica do material, mas sim pela pressão do gás confinado, e é uma unidade autónoma que não necessita de reposição de gás após a sua carga inicial.

02 Que vantagens tem face a uma mola mecânica?

Quatro principais: entrega forças muito maiores no mesmo espaço (alta densidade de força), a força está disponível de forma imediata desde o primeiro contacto (uma mola mecânica necessita de curso para a gerar), a curva de força é muito plana ao longo do curso, e a força é ajustável variando a carga de azoto. Além disso, vários cilindros podem ser interligados por mangueira para atuarem de forma sincronizada.

03 Porque é que a força de uma mola a gás é quase constante ao longo do curso?

Porque a força depende da pressão do azoto sobre a secção da haste, e essa secção é pequena face ao volume de gás do cilindro. Ao introduzir a haste, o volume de gás reduz-se pouco em termos relativos, de modo que a pressão —e portanto a força— aumenta apenas ligeiramente. O resultado é uma curva de força muito plana, com um incremento baixo entre o início e o fim do curso.

04 Onde se utilizam as molas a gás?

Sobretudo em componentes de matrizes e estampagem: prensagem, embutidura, pisagem de chapa e expulsão em matrizes e moldes, onde são necessárias grandes forças no escasso espaço de uma matriz. Também em pisadores e cerra-chapas, pinos ejetores ajustáveis, moldes de injeção (versões para alta temperatura) e ferramentas de automação. São o padrão quando se requer força alta, compacta, imediata e regulável.

05 Podem ser intercambiadas entre fabricantes e ajustar-se a força?

Sim. Fabricam-se segundo normas ISO e padrões de montagem normalizados, o que as torna intercambiáveis entre marcas em muitos formatos (altura completa, compacta, super compacta). A força ajusta-se carregando ou descarregando azoto através da porta do cilindro, e vários elementos podem ligar-se num sistema interligado por mangueira para partilharem uma única carga e atuarem de forma sincronizada.

Precisa de uma mola a gás?

Indique-nos a força necessária, o curso, o espaço disponível, o formato (full-height / compacto) e se necessita de um sistema interligado — selecionamos o modelo ISO, o diâmetro, o tipo de vedação e a carga de gás, e respondemos-lhe com a solução ótima. Apoio de engenharia sem custo, especialistas desde 1974.