DIN 2093
DIN EN 16983

Especificações de fabrico e qualidade das molas de prato: dimensões, materiais admitidos, processos consoante a espessura, tolerâncias e comportamento sob relaxação e fadiga.

A norma classifica as peças em três grupos por espessura (Grupo 1: < 1,25 mm · Grupo 2: 1,25 — 6 mm · Grupo 3: > 6 mm até 14 mm) e em três séries por relação De/t (Série A, B, C) que determinam o nível de força.

DIN 2093 é a designação histórica alemã; DIN EN 16983 é a sua versão europeia harmonizada. Ambas se utilizam indistintamente. A norma complementar DIN 2092 / DIN EN 16984 abrange os métodos de cálculo.

Molas de prato DIN 2093
01

Âmbito de aplicação da norma

A norma aplica-se a molas de prato —anilhas cónicas com propriedades elásticas— destinadas a gerar uma força axial sob compressão. As peças abrangidas estão concebidas para trabalhar tanto em aplicações estáticas (pré-carga permanente) como dinâmicas (ciclos repetidos de carga e descarga).

Isto diferencia-a de normas como a DIN 6796, que abrange anilhas cónicas concebidas exclusivamente para carga estática em uniões aparafusadas.

02

Classificação por grupos consoante a espessura

A norma estabelece três grupos em função da espessura do material (t). A espessura condiciona diretamente o método de fabrico, a necessidade de superfícies de apoio e as tolerâncias aplicáveis.

A atribuição a um ou outro grupo determina o procedimento de produção e, consequentemente, os acabamentos superficiais mínimos exigidos.

Classificação DIN 2093 por grupos de espessura com superfícies de apoio e processo de fabrico.
GrupoEspessura (t)Sup. apoioFabrico
Grupo 1t < 1,25 mmNãoEstampagem + cantos arredondados
Grupo 21,25 mm ≤ t ≤ 6 mmNãoEstampagem + maquinagem De/Di · alt. fine-blanking
Grupo 36 mm < t ≤ 14 mmSim · obrigatóriasForja a quente/frio + maquinagem integral
03

Séries A · B · C consoante a relação De/t

Para além da classificação por grupos (que depende da espessura absoluta), a norma define três séries geométricas em função da relação entre o diâmetro exterior e a espessura.

Para cada diâmetro exterior normalizado existem três versões que abrangem diferentes níveis de força. Por este motivo, é habitual referir-se a estas molas indicando a letra seguida do diâmetro (p. ex. A-50, B-71, C-100).

A norma admite também o fabrico de molas com espessuras intermédias que, cumprindo os restantes requisitos, não correspondem estritamente a nenhuma das três séries.

A
De/t ≈ 18 · h₀/t ≈ 0,4

Molas de força alta

Empilhamentos curtos · alta força axial
B
De/t ≈ 28 · h₀/t ≈ 0,75

Molas de força média

Solução intermédia · uso geral
C
De/t ≈ 40 · h₀/t ≈ 1,3

Molas de força baixa

Maior curso · força mais baixa

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04

Materiais admitidos segundo a DIN 2093 / DIN EN 16983

A norma especifica os aços de mola aptos para o fabrico, indicando a sua designação normalizada DIN e o seu módulo de elasticidade. O material padrão é aço ao crómio-vanádio 51CrV4 com um módulo de elasticidade de 206 000 N/mm².

Para ambientes corrosivos ou de alta temperatura, a norma admite a utilização de aços inoxidáveis (1.4310, 1.4568, 1.4571) e ligas de níquel (Inconel 718, Nimonic 90), com a advertência de que o seu módulo de elasticidade difere e a curva força-deslocamento deve ser recalculada.

Materiais admitidos pela DIN 2093 / DIN EN 16983 — designação, norma, tipo, aplicação e módulo de elasticidade.
DesignaçãoNorma DIN / n.ºTipoAplicação habitualMódulo E
51CrV4DIN 17222 · 1.8159Aço ao crómio-vanádioPadrão — todos os grupos206.000 N/mm²
51CrMoV4DIN 17221CrMo-vanádioPadrão — todos os grupos206.000 N/mm²
CK67DIN 1.1231Aço ao carbonoApenas Grupo 1206.000 N/mm²
CK75DIN 1.1248Aço ao carbonoApenas Grupo 1206.000 N/mm²
X10CrNi18-81.4310Inoxidável austeníticoAmbientes corrosivos— recalcular
X7CrNiAl17-71.4568Inoxidável martensíticoCorrosão + carga— recalcular
X6CrNiMoTi17-12-21.4571Inoxidável Mo-TiCorrosão severa— recalcular
Inconel 7182.4668Liga de níquelAlta temperatura— recalcular
Nimonic 90Liga Ni-Cr-CoAlta temperatura severa— recalcular
05

Processos de fabrico por grupo

A norma atribui a cada grupo o processo de fabrico que deve ser empregue e os acabamentos superficiais mínimos (rugosidade Ra) das diferentes zonas da peça.

Processos de fabrico consoante o grupo e rugosidades superficiais máximas (Ra) admitidas pela DIN 2093.
GrupoFabricoRa faces sup. / inf.Ra lados int. / ext.
1Estampagem + cantos arredondados< 3,2 µm< 12,5 µm
2Estampagem + maquinagem de De/Di + cantos arredondados< 6,3 µm< 6,3 µm
2*Fine-blanked + cantos arredondados (alternativa)< 6,3 µm< 3,2 µm
3Forja a quente/frio + maquinagem integral + cantos arredondados< 12,5 µm< 12,5 µm

Os acabamentos superficiais não são exigidos em peças submetidas a shot peening (granalhagem de tensões), processo reconhecido como melhoria da resistência à fadiga.

Após a conformação, todas as peças são submetidas a têmpera e revenido até atingir a dureza HRC especificada, e a um processo de pre-setting (aplanamento controlado) para estabilizar a geometria e descartar peças que não recuperam corretamente a sua altura livre.

06

Tolerâncias dimensionais e de força

A norma define tolerâncias diferenciadas por grupo e, dentro de cada grupo, por intervalos de espessura. As tolerâncias regulam tanto as cotas geométricas como a força a 75 % do curso e a dureza do material.

Tolerâncias dimensionais (espessura, altura l₀, força a 75 % h₀, dureza HRC) por grupo e intervalo de espessura segundo a DIN 2093.
GrupoEspessura (mm)Tol. espessura (mm)Tol. altura l₀ (mm)Tol. força a 75 % h₀Dureza (HRC)
10,2 — 0,6+0,02 / −0,06+0,10 / −0,05+25 % / −7,5 %42 — 52
1> 0,6 — < 1,25+0,03 / −0,09+0,10 / −0,05+25 % / −7,5 %42 — 52
21,25 — 2,0+0,04 / −0,12+0,15 / −0,08+15 % / −7,5 %42 — 52
2> 2,0 — 3,0+0,04 / −0,12+0,20 / −0,10+15 % / −7,5 %42 — 52
2> 3,0 — 3,8+0,04 / −0,12+0,30 / −0,15+10 % / −5 %42 — 52
2> 3,8 — 6,0+0,05 / −0,15+0,30 / −0,15+10 % / −5 %42 — 52
3> 6,0 — 14± 0,10± 0,30± 5 %42 — 52
Tabela · Tolerâncias diametrais (h12)
Tolerâncias diametrais h12 para De e Di por intervalo de diâmetro nominal segundo a DIN 2093.
Intervalo (mm)De — tol.Di — tol.
3 — 60 / −0,120 / +0,12
> 6 — 100 / −0,150 / +0,15
> 10 — 180 / −0,180 / +0,18
> 18 — 300 / −0,210 / +0,21
> 30 — 500 / −0,250 / +0,25
> 50 — 800 / −0,300 / +0,30
> 80 — 1200 / −0,350 / +0,35
> 120 — 1800 / −0,400 / +0,40
> 180 — 2500 / −0,460 / +0,46
> 250 — 3150 / −0,520 / +0,52
> 315 — 4000 / −0,570 / +0,57
> 400 — 5000 / −0,630 / +0,63
> 500 — 6000 / −0,680 / +0,68
FIG · Nomenclatura · De · Di · t · h₀ · l₀
Secção transversal de uma mola de prato DIN 2093 com a nomenclatura de cotas: diâmetro exterior De, diâmetro interior Di, espessura t, altura livre h₀ e altura total l₀.

F(0,75 h₀) · força nominal de catálogo. Por convenção, a norma fixa as tolerâncias de força no ponto correspondente a 75 % da deflexão máxima.

07

Tolerâncias de guiamento

A norma regula a folga admissível entre a peça e o elemento de guiamento (eixo interior ou casquilho exterior). As superfícies de guiamento devem estar polidas e endurecidas a um mínimo de 55 HRC em pelo menos 0,80 mm de profundidade.

O guiamento mais comum realiza-se através do diâmetro interno mediante um eixo. Também pode realizar-se um guiamento externo mediante um casquilho. Em empilhamentos longos pode ser necessário introduzir discos separadores que evitem o efeito de encurvadura. É imprescindível uma correta lubrificação.

Tabela · Folga máxima de guiamento
Folga máxima admissível entre a peça e o guiamento por intervalo de diâmetro de guiamento segundo a DIN 2093.
Ø guiamento (mm)Folga máx. (mm)
Até 160,2
> 16 — 200,3
> 20 — 260,4
> 26 — 31,50,5
> 31,5 — 500,6
> 50 — 800,8
> 80 — 1401,0
> 140 — 2501,6
08

Relaxação e fadiga segundo a norma

— Conceito A

Relaxação

Perda progressiva de força sob carga constante a temperatura definida. A norma fixa valores máximos admissíveis de relaxação a 20 °C, 80 °C e 100 °C após um tempo de exposição normalizado.

Como referência prática, um empilhamento estabilizado perde cerca de 5 % de força nas duas primeiras semanas de serviço. A partir daí deve estabilizar-se, sendo desprezável a perda posterior.

— Conceito B

Fadiga

Número mínimo de ciclos que a mola deve suportar para uma variação de tensões determinada, sem apresentar fissuras detetáveis. A norma inclui os diagramas de Goodman correspondentes para diferentes grupos e materiais.

Ambos os comportamentos justificam o processo obrigatório de pre-setting e, em peças submetidas a alta carga dinâmica, o shot peening como tratamento mecânico de reforço superficial.

09

Aplicações industriais reguladas pela norma

As molas de prato fabricadas segundo a DIN 2093 / DIN EN 16983 são utilizadas em aplicações onde se requer força axial elevada em espaço reduzido, com curva de resposta previsível e reproduzível.

01

Automóvel e maquinaria pesada

Pré-carga de rolamentos, embraiagens, válvulas de segurança, atuadores hidráulicos.

02

Petróleo e gás

Juntas de flanges, fecho de válvulas de alta pressão, ligações críticas com pressão variável.

03

Energia e geração

Turbinas de vapor e gás, compensadores de dilatação térmica em tubagens de vapor.

04

Máquina-ferramenta e prensas

Fixação de ferramentas, sistemas de embraiagem de prensas, pré-carga de fusos.

05

Construção e infraestruturas

Apoios pré-esforçados, amortecedores de vibração, ancoragens ativas.

06

Indústria química e farmacêutica

Flanges com pressão constante em tubagens submetidas a ciclos térmicos.

10

Preguntas frecuentes

01 Qual é a diferença entre DIN 2093 e DIN EN 16983?

São a mesma norma. DIN 2093 é a designação histórica alemã publicada pelo DIN (Deutsches Institut für Normung); DIN EN 16983 é a designação harmonizada a nível europeu, com conteúdo tecnicamente equivalente. É habitual encontrar ambas as designações em desenhos, encomendas e catálogos. Qualquer mola de prato conforme à DIN 2093 cumpre igualmente a DIN EN 16983.

02 Que diferença existe entre DIN 2093 e DIN 2092?

A DIN 2093 / DIN EN 16983 regula as características de fabrico e qualidade da mola de prato: dimensões, materiais, tolerâncias, processos. A DIN 2092 / DIN EN 16984 é a norma de cálculo: define os métodos para calcular força, curso, tensões e vida útil sob diferentes modos de carga e empilhamento. Na prática, o engenheiro usa a DIN 2092 para dimensionar a solução e a DIN 2093 para especificar a peça concreta a comprar ou fabricar.

03 Que diferença existe entre as molas de prato DIN 2093 e as anilhas DIN 6796?

A DIN 2093 / DIN EN 16983 abrange molas de prato de uso técnico: peças com curva força-deslocamento calculável, aptas para carga estática e dinâmica, normalizadas em três séries (A/B/C) e concebidas para serem empilhadas. A DIN 6796 abrange anilhas cónicas de pressão para uniões aparafusadas: peça única por união, dimensionada a 70–90 % do aperto de um parafuso classe 8.8 ou 10.9, exclusivamente carga estática. Regra prática: se a união é um parafuso e há vibração ou ciclos térmicos, DIN 6796; se se concebe um sistema com mola de prato cuja força e curso se calculam, DIN 2093.

04 Porque é que a norma exige superfícies de apoio a partir de 6 mm de espessura?

Em molas de Grupo 3 (t > 6 mm) a força axial gerada é muito alta e a pegada de contacto com as peças adjacentes (eixo, casquilho, outra anilha em empilhamento) seria pontual sobre o canto vivo. Isto provocaria desgaste, dano superficial e dispersão da força efetiva. As superfícies de apoio —pequenos rebaixos maquinados nos cantos interior e exterior— distribuem a carga sobre uma superfície definida, melhoram a repetibilidade e permitem o contacto face-a-face entre anilhas empilhadas. A norma compensa o efeito geométrico destas superfícies introduzindo uma espessura reduzida t' nos cálculos.

05 Podem fabricar-se molas DIN 2093 fora das medidas e materiais normalizados?

Sim. A norma admite explicitamente o fabrico de molas com espessuras intermédias que não correspondem estritamente às séries A/B/C, desde que se respeitem os restantes requisitos (tolerâncias, dureza, acabamentos, ensaios de relaxação e fadiga). Também se admitem materiais fora da lista padrão (Inconel, Nimonic, outros aços especiais) quando a aplicação o justifica, com a advertência de recalcular a curva F/s para o módulo de elasticidade do material escolhido. A Surisa fabrica este tipo de molas especiais à medida sob desenho do cliente.

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